Quando alguém viaja, é impossível não comparar um lugar novo com os conhecidos. Meus amigos dominicanos me proibiram falar do México. Meus amigos dos Estados Unidos viram os olhos quando menciono detalhes do Brasil. Mas como evitá-lo?

Quando morei no Seattle, encontrei uma maneira envolvente de fazer comparações: Escrevendo listas das 10 coisas que mais se destacavam. No domingo, voltei a São Paulo duma visita a Nova Iorque, minha cidade natal. Então, tenho material nova para criar outra lista.

1) Onde podemos encontrar pessoas felizes de trabalhar no aeroporto? São Paulo. Sim! Nova Iorque. Não. Eu acho que eles ganham mais quando sorriem menos.

2) Em São Paulo, antes de falar com alguém que não conheço, treino o meu português. Na cabeça, eu repito – Onde fica o banheiro? – A conta, por favor. – Dá para fazer um precinho?

Em Nova Iorque, estava fazendo o mesmo, mas quando começava a falar, lembrava que podia usar minha língua materna. E se a pessoa não pudesse me entender, não ficava preocupada que fosse o meu sotaque ou as palavras que tinha escolhido. Provavelmente só precisava falar mais alto. Que alívio!

3) Em Nova Iorque, quando vou comprar uma coisa, ninguém pergunta, CPF na nota? Débito ou crédito? Nota fiscal paulista? Não usam CPF. A máquina sabe se o meu cartão é de débito ou de crédito. E se precisar de nota fiscal, eu peço.

4) Quando faço compras nos Estados Unidos, não tenho que dividir por tres para saber a diferença entre o real e o dólar. O preço já está em dólares! Incrível.

5) No banheiro, com o papel higiênico usado na mão, ficava congelada porque tinha que pensar bem o que fazer com ele. Custou muito tempo me treinar para jogá-lo no lixo no Brasil. Voltando a Nova Iorque, já não era mais natural jogá-lo no vaso. Fazia, mas não me sentia bem. Sempre saía voando do banheiro, morrendo de medo que o vaso entupisse.

6) Quando saio do meu apartamento em São Paulo, conheço o porteiro, os que trabalham nas lojas, e quase ninguém mais. Quando saio da casa dos meus pais, é o oposto. Conheço toda a vizinhança, mas os comerciantes quase não.

7) Em Nova Iorque, minha familia é minha familia, e meus amigos são os outros. Em São Paulo, meus amigos são minha familia também.

8) Quando tenho um pouco de fome na rua em Nova Iorque, posso comprar um pedaço de pizza na hora por o equivalente a 8 reais. Dizem que o preço de um pedaço de pizza é sempre igual ao preço de uma passagem de metrô. Em São Paulo, tenho que comprar uma pizza inteira, por muito mais dinheiro, e esperar até que seja preparada. Ou comer no balcão e aguentar o cheddar brasileiro.

9) Açaí se encontra em cada esquina de São Paulo. Em Nova Iorque, ainda é uma coisa exótica. Nota-se pelo preço.

10) Em Nova Iorque, açaí é exótico. Em São Paulo, sou eu que sou exótica. Basta ser estrangeira para ter um status especial de aventurera valente. Não sabia que eu curtia tanto isso até estar entre meus conterrâneos, que me consideravam aventurera perdida. Caía do pedestal na hora!

Leave a comment